quarta-feira, 25 de abril de 2012

Despedida para M

25 de abril de 2012.

Caro M,

Ontem fez uma semana que saí dessa cidade. Mal via a hora de sair desse buraco, e não me arrependo nem um pouco do que fiz; finalmente posso dizer que estou em uma cidade de verdade, com itens básicos para a sobrevivência sã de uma pessoa. Não pretendo nunca mais voltar aí.

Mas sabe uma das coisas que mais me deixa feliz? Não ter mais que trabalhar com você. É, isso mesmo: odiava trabalhar com você. Não por ter sido seu superior, afinal todos nós, no fim das contas, somos meros trabalhadores, e o cargo que era meu poderia ser seu a qualquer momento. Mas por você enxergar em mim um inimigo, como se eu estivesse vigiando qualquer coisa que você fizesse, pronto pra lhe ferrar como eu conseguisse. E por achar que podia fazer a merda que fosse que não teria problema, como se o fato de você estar nesse fim de mundo fosse culpa da empresa, ou pior, minha. Você sabia, muito bem, que a única vaga disponível pra você era lá, então se você optou por ir, AZAR O SEU. Agora aguente feito homem e não venha com choramingo de "ah, moro numa comunidade muito longe e mal passo um dia em casa no fim de semana" e "sou um pobre trabalhador" pra tentar justificar suas faltas em quase todas as segundas. Isso pra mim é conversa de malandro vagabundo. Gente em situação muito pior não está contando suas mazelas por aí, e mais, está desejando um emprego como esse.

E como se isso não bastasse, tinha que dividir casa com você. Isso pra mim era quase mais insuportável. Além do dia inteiro tendo que aguentar sua cara de merda do meu lado, tinha que ouvir suas besteiras fora do trabalho. Ouvir você babar atrás de qualquer mulher, e achar que todas são meros pedaços de carne passando na sua frente. E não, não penso assim por não ser hétero (newsflash pra você: não sou), mas por conhecer e ter amigos héteros que sabem falar outro assunto que não sejam as desgraças que passaram no jornal ou as bucetas que estão andando pela rua, todas esperando um pau. Isso somado a sua incrível cara de pau, ao ponto de insinuar que era o único que fazia algumas tarefas da casa, sendo que a que realmente fazia, que era varrer a casa, era tão mal feita que praticamente não fazia diferença.

A gota d'água mesmo para mim foi quando você me deixou passar do ponto de descer do ônibus porque eu estava dormindo, e sua cara de "tô nem aí" me esperando na frente da casa quando eu chego depois de caminhar um bocado. No fim das contas, apesar de ter criado asco a esse muquifo que chamam de cidade, estou mais feliz de ter me livrado de você do que da cidade.

Mas apesar de tudo, não lhe desejo o mal. Nem a você nem a nenhum membro da sua família. Não mesmo. Só desejo uma coisa a você, bastante simples: que você nunca consiga sair daí. Que todas as suas tentativas de transferência não dêem certo, como elas já estão tendendo a não dar. Que você, por não ter iniciativa e já ter irritado uma boa parte dos seus superiores na empresa, tenha que ficar aí e envelhecer levando essa vidinha de merda viajando nos sábados e voltando nos domingos. Esse inferno e você se merecem, e espero que a serra engula vocês e faça bom proveito.

Até nunca mais.

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