quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Serbian Film: quem tem medo de filme pornô?

Tá, então eu assisti o tão comentado A Serbian Film. E o que eu tenho a dizer é que estou decepcionado... Mas calma... Não me entendam mal; não estou dizendo que o filme é ruim; ainda nem falei nada. Em algumas linhas tentarei expor aqui minhas impressões sobre o filme, e por que acho que ele deve ser visto.


Descobri esse filme há alguns dias no twitter, acompanhando discussões calorosas de gente horrorizada, questionando o limite entre a arte cinematográfica e a pedofilia. De imediato pensei: "nossa! que filme hediondo deve ser esse?" Até que consegui descobrir que estavam falando de A Serbian Film (Srpski film), um filme realmente sérvio de 2010, dirigido por  Srđan Spasojević (não me pergunte como se pronuncia o nome desta criatura!).

Em poucos minutos fiz uma pesquisa sobre o filme e soube de todas as polêmicas em que vem sendo envolvido, desde a censura em vários países, inclusive no Brasil, até acusações de apologia à pedofilia. E tenho que dizer o seguinte, agora que consegui assistir a uma versão sem cortes: A Serbian Film não é um filme pornô, muito menos um filme pedófilo. É um filme de horror, primoroso, maravilhoso (embora algumas partes evidenciem uma produção pobrinha, deixando algumas cenas um tanto cômicas).

Em um primeiro momento, tenho que dizer que fiquei mesmo decepcionado, não pela qualidade da obra que eu acabara de ver, mas pela total incongruência com o tanto de comentários que eu havia lido em tantos lugares. Eu esperava finalmente ver algo que me chocasse, que me enojasse, mas o nível de violência foi bem aquém da minha expectativa.

Nessa hora alguém vai certamente pensar: "meu Deus! Você é um monstro! Como pode dizer que é pouca violência num filme que mostra um bebê sendo estuprado?". E eu respondo: a cena tão exaustivamente comentada, e que chocou milhares de pessoas que nem ao menos viram o filme, simplesmente não é mostrada, não de forma explícita, somente insinuada. Vemos somente um parto normal sendo realizado, e em seguida um homem pega a criança; nós o vemos de costas e ouvimos a criança gritar ininterruptamente, e só.

Na verdade, o mérito deste filme é justamente saber usar aquilo que não vemos, é conseguir nos fazer imaginar, e nos fazer sentir medo. É assim que nos envolvemos na história de Milos, um ator pornô aposentado que constitui família com mulher e filho. Um dia ele recebe uma proposta para começar a filmar um novo projeto, sem saber do que realmente se trata.

A direção inteligente e a montagem muito ágil nos levam a acompanhar a jornada de incerteza e medo do potagonista. Nunca se sabe até que ponto as situações vão nos levar, numa trajetória violenta, forte, impactante e degradante. Manipulado por doses cavalares de drogas, Milos desce cada vez mais fundo num abismo imundo de sexo e violência, tudo dirigido com precisão e fotografado com maestria.

Todas as cenas de sexo, no filme, são absolutamente repugnantes, mesmo entre Milos e sua esposa. As mulheres são brutalmente humilhadas, e para mim, essa é a maior amostra de violência do filme, o tratamento animalesco dado às mulheres.

No final, é de se esperar que tudo termine violentamente. Mas o filme tem seu valor inegável, ao conseguir nos imergir na loucura de um protagonista totalmente descontrolado. A Serbian Film prova que o que não se mostra pode ser mais assustador que imagens explicitamente exauridas na tela, e consegue fazer do sexo algo degradante e repulsivo.

Nota: 8,5

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