terça-feira, 12 de julho de 2011

Morte, ressurreição, letargia e Scott Pilgrim

Depois de alguns meses de coma, eis que ressuscitamos o Torneiras; não em três dias, afinal não somos nenhuma figura mitológica do imaginário mainstream, e todos os quatro autores dessa desorganização sofrem de profunda letargia. Até repensar o layout do blog e conseguirmos nos reunir, foram eras de adiamentos involuntários. Por sorte, não tem ninguém compromissado se metendo neste blog; nada de cobrança, nada de estresse, e tudo vem espontaneamente quando tem que ser...

Nosso último post havia sido publicado em outubro de 2010, nove meses atrás! Putz! Nem eu tinha percebido que passou tanto tempo assim! Afinal o post passado, sobre o PL 122, foi só um reblog do tumblr.


O fato é que voltamos, infelizmente para muitos, talvez. A blogosfera que se prepare para o retorno de blasfêmias, opiniões ferinas, autores de temperamentos intragáveis e textos implacáveis, embora cômicos muitas vezes, e por isso mesmo mais ofensivos, talvez.

E já que confesso por todos a nossa letargia, não é de se admirar que só agora eu tenha assistido* Scott Pilgrim, milênios depois de já ter sido lançado em DVD. Então aproveito para postar aqui minhas beves impressões sobre o filme.

Algumas semanas atrás eu vi Kick Ass (calma! sei que a resenha é sobre Scott Pilgrim). Na primeira vez que ouvi falar do filme, admito que não me interessei de imediato, e só tive mesmo vontade de assiti-lo depois de ver o clipe do Mika cantando a música-tema. E não me arrependi nem por um segundo. Kick Ass é fenomenal; o filme é empolgante, jovial, incisivo, sem tentar atenuar o que se vê na tela para arrebanhar públicos mais jovens. E por incrível que pareça, nem mesmo Nicolas Cage é capaz de destruir tudo!

E qual o intuito de todo esse falatório sobre Kick Ass?! Ele e Scott Pilgrim foram lançados mais ou menos na mesma época e trazem nitidamente a influência visual dos quadrinhos. Para por aí. Ponto. Não fosse isso, os dois filmes não teriam nada em comum entre si.

Quem leva porrada na cara é você, por pegar um filme ruim na locadora!

O que há de bom em Pilgrim se acaba talvez em cinco minutos de filme. O grau de exagero do diretor Edgar Wright (o mesmo do questionável O Guia do Mochileiro das Galáxias) é tanto, que sua estética "inovadora" satura o espectador pouco após os créditos iniciais. O visual de comic books, com direito a onomatopeias na tela e cores vibrantes, gera efeito contrário ao que talvez se pretendia: ao invés de empolgar, esgota o filme.

A falta de sutileza torna a trama previsível e sem sal. Não existe um ápice no filme, nem mesmo nas cenas de luta, que também são muito cansativas. Os recursos estéticos são desperdiçados em medidas cavalares do delírio infantil de um diretor, e findam por eliminar qualquer eventual catarse ao longo do enredo. A montagem, na vã ilusão de agilizar a trama, se torna rápida demais e dá a impressão de que o filme tem três horas e meia de duração (quando na verdade não chega nem a duas horas); com dez minutos eu já tinha visto o suficiente para meia hora de um filme normal!

E no fim das contas, Scott Pilgrim é nada mais que um grande desperdício: de conceitos visuais que poderiam ter sido interessantes, de uma história que poderia ter sido bem aproveitada, e de um Michael Cera que poderia ter sido um bom protagonista, afinal não há ninguém melhor pra encarnar um jovem apático, tapado e ainda assim carismático.

Nota: 5,0


*Antes que alguém me encha o saco, sei que a gramática me manda escrever "assistir a um filme". Mas me poupe! Quem fala assim?!

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