quinta-feira, 21 de julho de 2011

Atemporalidades: Radio Flyer e minha viagem à infância

De uns tempos pra cá eu estou numa onda totalmente nostálgica, e rever filmes clássicos da Sessão da Tarde tem sido minha ocupação maior nas últimas semanas.

Agora à noite, na verdade alguns minutos atrás, acabei de assistir Radio Flyer (1992), e ainda estou sob o impacto do filme. Por isso tive que escrever imediatamente, para tentar não perder a catarse da história.


Não me proponho aqui a fazer uma crítica carrancuda e impessoal, técnica; muito pelo contrário (a última coisa que vocês querem ver aqui no Torneiras, creio eu, é um criticismo pedante e acadêmico). Para falar de Radio Flyer é impossível não atentar para o forte aspecto emotivo do filme, é impossível não ressaltar o quanto ele nos envolve.

Também não acho necessário contar muito da história, afinal, se você viveu a década de 1990, certamente conhece a trama, e se já esqueceu, o ideal é assistir sabendo o mínimo possível.

Sobre esta narrativa fantástica dirigida por Richard Donner (de Os Goonies, outro clássico das tardes globais) e produzida por Michael Douglas (ele mesmo!), o máximo que posso contar é o seguinte: o roteiro conta a história de duas crianças que se mudam com a mãe para outra cidade; lá ela se envolve com um homem que se mostra violento e passa a agredir o irmão mais novo, Bobby (Joseph Mazzello), sem que a mãe saiba. 

Bobby planeja então um plano de fuga, com a ajuda de Mike, o irmão mais velho interpretado por Elijah Wood (na época com 10 anos de idade, mostrando uma atuação honesta de dar inveja a muito adulto que ainda insiste em dar as caras na telona).

Vemos a história do ponto de vista das crianças, e esse é o maior acerto do filme, com certeza. De outra forma, seria tudo denso e triste demais. Entretanto, o roteiro nos é apresentado repleto de magia e ingenuidade, sem ser imbecil, como hoje se julga que filmes para criança devem ser.

Vendo Radio Flyer, eu me sinto realmente nostálgico, não há uma palavra melhor para usar. Talvez porque eu o assisti pela primeira vez dezoito anos atrás, ainda na antiga TV preto e branco da minha casa (só chegamos às cores em 1996, pasmem!).

Fato é que o filme me faz lembrar o encanto ingênuo da infância, faz lembrar que todos já tivemos a capacidade de nos deslumbrar com algo, e isso se aplica também ao cinema.

Confesso que o avanço técnico das produções de hoje me desagrada. A overdose de efeitos visuais e computação gráfica cansa o espectador, e tudo nos parece mal feito. Radio Flyer existe para nos lembrar que com efeitos artesanais é possível criar imagens memoráveis e incrivelmente convincentes, não por serem "bem feitas", mas por serem honestas, por nos fazerem sentir, ao invés de simplesmente jogar uma avalanche megalomaníaca de sons e luzes na nossa cara.

Assistir Radio Flyer nos faz refletir sobre em que momento perdemos a sensação de que há algo de mágico ao nosso redor, e em que momento esquecemos as fascinações e habilidades que a infância nos proporciona: acreditar que animais podem falar; que nosso lençol é um campo de força; que nossa mão pode ser um revólver e disparar balas, apenas com um gesto; que pular de qualquer altura com um guarda-chuva é seguro; que monstros existem e podem ser derrotados; e que todos podemos voar.

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