quarta-feira, 8 de junho de 2011

Eu ia acabar falando do PL 122… ou Sim, eu odeio cristo



Tudo o que eu menos queria postar aqui era mais um dos milhares de textos chatos sobre o PL 122 que você já deve ter lido mundo afora. E se você não  viu nada sobre isso ainda, é porque está há um bom tempo sem frequentar  esse país amável chamado Brasil, uma nação alegre e sem preconceito, o país de todas as cores e raças.

Já começou a rir? Aguarde!

 Já faz um tempo que ando no mínimo incomodado com essa celeuma em torno do PL 122, para quem não sabe, um projeto de lei que pretende criminalizar a homofobia, explanando aqui de forma bem superficial, obviamente.

Nas últimas semanas a discussão acerca do tema vem se inflamando e se avolumando, e vi o despertar de minha ira maior na realização da “Marcha pela Família”, organizada em Brasília por líderes cristãos. E finalmente a fermentação do meu ódio culminou hoje pela manhã, quando, no trabalho, tive que ouvir uma imbecil católica dizer que o PL 122 criaria a “heterofobia”.

Uma declaração dessa é uma amostra incontestável de ignorância, irracionalidade e segregacionismo. E sendo gay, eu não poderia ficar calado diante de uma questão que tanto me afeta. Então, uso do mínimo alcance que tenho para divulgar aqui minhas irrelevantes opiniões.

Decidi conhecer o texto do tão comentado PL 122, para saber o por quê de tanta revolta. O que se veicula na mídia é que o projeto de lei tolhe a liberdade religiosa, por conta do artigo 5º da redação inicial, que coíbe “a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica”.

Esse é o argumento sobre o qual se fundamentam os cristãos – prefiro não fazer distinção entre católicos e evangélicos, pois a única diferença entre eles é o grau de apatia ou fervor.

O que a mídia não divulga, no entanto, é que o texto do PL 122 já foi alterado HÁ ERAS, e não possui mais essa redação. O que os malditos filhos do crucificado e da prostituta querem é simplesmente manobrar a nossa sociedade porca, para que eles sejam vistos como os nobres defensores da família brasileira.

Daí vêm iniciativas como a Marcha pela Família, um título honrado, inspirador, cativante! Devemos entretanto lembrar a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, um evento muito semelhante promovido em 1964, neste mesmo Brasil. Na época, o monstro eram os comunistas, hoje são os gays.

O que os cristãos querem é a liberdade de expressar seu ódio, de prosseguir com sua indelével cruzada de segregação. E para isso empreendem lutas por causas sempre nobres, como a perseguição aos Judeus, a escravização dos Negros, a ditadura militar, e agora a hostilização aos gays.

Se eles querem liberdade para me insultar, eu reivindico aqui ao menos no meu espaço, a MINHA liberdade de dizer o que quero! Acreditem os batizados no que quiserem, mas guardem suas ideias para os seus cultos. Lembrem-se de que em Roma já estiveram na boca dos leões. Preservem para si, no abrigo seguro de suas igrejas, a integridade de suas bocetas virgens e imaculadas, bem como as mãos masculinas incólumes, livres do pecado do onanismo.

Fiquem com o seu cristo inerte fincado na cruz, que eu fico com o meu sexo e a minha liberdade, enquanto eu a tiver, vivendo neste país de todas as cores, onde não cabe o arco-íris.

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