domingo, 17 de outubro de 2010

De volta à Idade Média [ou "Pra não dizer que não falei de política"]

É sempre chato discutir política, eu sei! Também sou uma das pessoas que mais detesta entrar em discussão sobre isso, ainda mais quando me deparo com gente ignorante e troglodita.

O problema é que muita gente confunde política com fervor partidário, pensamento totalmente equivocado! A política está diariamente em nossas vidas, nas decisões que tomamos para viabilizar uma convivência coletiva minimamente detestável.

Infelizmente, esse é um tema que só vem à tona em época de eleição mesmo, e sempre aparecem aquelas pessoas fazendo campanha no orkut, twitter e por aí vai; esse direito eles têm, mas não consigo é entender como é possível que ainda haja gente defendendo ideias absolutamente retrógradas.

Antes que pensem que vou defender algum candidato, deixo claro que vou anular meu voto no segundo turno. Sendo nordestino e bissexual, seria contra o meu próprio cerne votar em Serra ou Dilma.

Um dia desses, vi os dois candidatos no jornal, Serra na missa de Vossa Senhora Aparecida, e Dilma em um culto evangélico, ambos pedindo as bênçãos divinas e os votos dos fiéis.

A candidata do PT, numa jogada marqueteira cristã, prometeu defender a instituição sagrada da família, assumindo o compromisso com os evangélicos em uma carta aberta, ainda a ser divulgada.

Há quem critique a presença da religião na política, mas sejamos realistas; no Brasil, isso é impossível. Mas, por outro lado, não se pode dar espaço para que a religião se torne instrumento de propagação do ódio, com ideias preconceituosas.

Os leitores cristãos me perdoem (sua religião não manda oferecer a cara a tapa?), mas o cristianismo, da forma que foi usado ao longo das épocas, serviu de pretexto para muitas das atrocidades que conhecemos. Não vamos esquecer que o cristianismo justificou a escravidão dos negros, o domínio cultural dos índios e o nazismo.

Os cristãos não estão preocupados em defender seus direitos, mas em lutar contra os direitos dos outros! Lendo isso, muitos podem ainda achar que é ridículo os gays quererem ter os mesmos direitos que as pessoas "normais". Décadas atrás, talvez você pensaria: "que coisa imbecil, mulher querendo votar!", ou "onde já se viu, negro casar com mulher branca!?", ou indo mais longe "pra quê pagar um empregado se eu posso comprar um negro no mercado?"

Talvez chegue um futuro em que os alunos das escolas irão estudar a época em que vivemos hoje, e ficarão espantados, estarrecidos com a ignorância de uma sociedade que não percebia o simples fato de que se todos são cidadãos, merecem ter direitos iguais!

E enquanto as igrejas evangélicas ganham força, sinceramente tenho medo do retrocesso sociocultural que estamos vivendo, num país em que se busca reprimir a diversidade, um país que volta à Idade Média, quando os governantes precisavam ter a autoridade concedida por deus.

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