segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Desventuras em série - O patife invasor

Quando eu era moleque e morava no interior, coisas estranhas aconteciam. Analisando as circunstâncias (próximos à minha casa haviam: um bar, um prostíbulo e um cemitério), não é nenhuma surpresa que o dia-a-dia na minha rua fosse cheio de emoções.

Nessa tal prostíbulo viviam, além de mulheres, algumas crianças e até animais, animais silvestres. Então, belo dia o IBAMA bate lá e passa multa, apreende os animais pra em seguida levá-los ao habitat natural, aquela coisa toda de órgão federal em ação. Mas algo deu errado.
Eu estava lá, alegre e saltitante a caminho do meu quarto (nessa época eu estava no mesmo quarto onde aconteceu o incidente com Geraldo (RIP)), quando eu abro a porta e dou de cara com um macaco. Era um sagüi (trema, te amamos), aqueles macaquinhos pequenos e lindinhos, tipo esse carinha:


 
mas o macaquinho lindinho em questão, a mim, me parecia mais como esse aqui:




Ele era um animal sociopata, frio e calculista, tinha ódio no olhar. Não pude sequer me aproximar pra tentar uma negociação, a hostilidade no ar era evidente. Irracional é meu ovo, ele sabia muito bem o que estava fazendo. Tentando tomar o meu quarto, aquele pequeno patife. Eu sou covarde, então, como sempre, saí correndo, chamando a mamãe, com medo de ser atacada e contrair raiva ou algo assim. Mas também, né, um sagüi, quem não ia temer tal fera sanguinária? Perigosíssimo. Então eu saí em busca de socorro, e logo mais uma equipe de amadores que não tinham idéia do que fazer profissionais preparados (tá, eram meu tio, minha mãe mais umas duas pessoas), após horas de negociação (tá, ofereceram comida pra ele, que se rendeu em cinco minutos) conseguiu fazer com que o invasor de domicílio se entregasse. Nunca mais aquele sagüi foi visto novamente pelas redondezas.

Nesse dia eu entendi duas coisas: que um macaco pode ser mais mau humorado do que eu, e que é preciso estar preparado ao abrir a porta do meu quarto, nunca se sabe quando vai haver um macaco, uma cobra ou um pinto em plena overdose lá dentro.


Não compre animais silvestres, sobretudo se você morar próximo a minha casa, obrigado.

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