terça-feira, 13 de julho de 2010

Vergonha alheia máxima

Can't face the shame.

Vou direto ao ponto. Gostaria de declarar toda a minha vergonha e pesar diante disto, nada mais, nada menos, que um manifesto feito por habitantes de uma determinada região do país contra a migração de pessoas oriundas de outras regiões. No entanto, minha preocupação não diz respeito somente a esse tal manifesto em particular, me recuso a ser tão rasa nas minhas colocações. Eu falo da necessidade que algumas pessoas têm de formar 'panelinhas', ou seja, indivíduos que possuem características em comum ou semelhanças de qualquer natureza, das quais se utilizam para subjugar quem quer que não as possua; trocando em miúdos, grupos preconceituosos, minimalistas e alienados.

Religiões, torcidas organizadas, partidos políticos, correntes filosóficas, raça, sexo, facções terroristas, deus e o diabo, que tudo isso causa inevitável e lamentável divisão entre as pessoas, levando-as ao quadro de rivais simplesmente por pertencerem a grupos distintos, não é nenhuma novidade. Mas a moda agora é conflito regionalista. Essa pra mim é novidade, já que vivemos num país livre há tempos e guerra de secessão no Brasil, diante dos fiascos no passado, é algo que ficou esquecido pra nunca mais.

Ou estava esquecido até algumas semanas atrás. Primeiro, o Orkut sendo usado como meio de disseminação do preconceito ao nordestino, caso que foi publicado pela mídia e apontado pelo Ministério Público como crime federal. Dias depois, me deparo com esse tal manifesto. Eu o li, e não encontrei o menor vestígio de procedência ou coerência, nenhum embasamento constitucional nem racional para as queixas apresentadas. Pelamor, isso é ridículo, a gente vive na mesma merda de país, somos governados pelas mesmas antas dos mesmos partidos e ideologias alienantes de Norte a Sul, somos roubados pelos mesmos ladrões. E embora realmente existam paulistas trocando ofensas com migrantes nordestinos, à la 'nordestino cabeçudo, paulista grosso, nordestino só serve pra recolher o nosso lixo, paulista é tudo emo', todo mundo sabe quem tá subjugando e oprimindo quem há séculos, e que é uma disputa injusta. A coisa tá preta pra todo mundo, filhinhos. Enquanto esse povo que certamente não carece de coisas como saúde, moradia, ou salário decente fica aí de rixa infantilóide, uns dando crise de estrelismo contra seus compatriotas de um lado, outros se vitimizando do outro, os estrangeiros tomam o suco da nossa melhor laranja, vestem nosso melhor algodão, e riem da pouca noção de NAÇÃO do brasileiro, suas grandes bestas quadradas!

Honestamente, pra mim, como ser humano que sou, qualquer pessoa ou grupo que pregue mesmo que disfarçadamente discriminação e preconceito, sob qualquer pretexto, nada mais é que uma desocupada viúva de Hitler. Eu não tenho religião, mas concordo com o cara que disse uma vez algo como 'um só rebanho, um só pastor'; esse deve ser o cara mais inteligente que já existiu nessa terra. Gente, o mundo é um só, e é imenso. Gostando ou não, tá todo mundo nessa porra desse barco furado. Remar na mesma direção é o mais certo a se fazer. Vamos começar ao menos aprendendo o conceito de 'respeito ao próximo', antes que eu morra de vergonha de viver no mesmo mundo em que as coisas chegam a esse ponto.

Grande beijo pra os fodões @lhs_luis e @gabriel_oco, meus paulistas mais amados.

9 comentários:

Luis disse...

Bem por onde começar ?
1º Tentaram fazer isso há alguns anos na alemanha e se chamou NAZISMO
2º PUTA QUE ME PARIU

A unica coisa que vou deixar é uma tirinha do saudoso Laerte

http://geocolegiao.files.wordpress.com/2009/08/provageo2.jpg

#FACEPALM

Luis disse...

Valeu pelo beijo e outro Beijo pra vc @miaul minha cearense predileta ;*

Fernanda Érika disse...

Fico indignada com tanta burrice!De onde já se viu?Esse grupo de infantilóides não percebe que o Brasil é sim uma mistura de diversas raças e culturas?Ou eles não estudam isso em suas escolas?E quem é a mão de obra mais barata pra trabalhar e contribuir para o progresso da sua cidade?Sempre o nordestino, lógico!Que vê a cidade deles como um novo rumo pra sua vida e, se pudesse, voltaria pro Nordeste assim que conseguir um emprego e que possa garantir um bom dinheiro, por que por mais dura que seja sua vida no sertão, não há melhor lugar pra se viver do que na sua terra natal...E quando os paulistas veem até o nosso querido nordeste, são muitíssimo bem recebidos, por que somos um povo acolhedor.Mas enfim, isso tudo me deixa muito triste e cheia de vergonha alheia também, por saber que em pleno século da informação, da liberdade, da alta modernidade, ainda existam conceitos e pré-conceitos tão retrogrados...

Anônimo disse...

1. Os seres humanos são diferentes entre si e é normal que se organizem em diferentes facções de pensamento e comportamento. No Brasil, um país extremamente multicultural e fragmentado, isso se acentua mais ainda. Tratar todos os seres humanos como uma grande massa cinzenta é coisa de déspota.

Aprendam a apreciar e a conviver com a diferença e não a tentar eliminá-la de forma virtual com esses discursinhos babacas tipo "que é isso gente a gent eh tudo igual uma grand mistura de rasas rsrsrs".

Nós somos diferentes sim, podemos conviver pacificamente com isso, não precisa tentar fingir que somos todos iguais. Se tu discorda, é porque não conhece o Brasil o suficiente.


2. A guria do blog vegan apresentou uma tese de que os imigrantes do nordeste não tem o mesmo carinho com a cidade de São Paulo que os nativos, e que portanto seria ruim dar moradias em lugares movimentados da cidade para os imigrantes. Pois caso instalassem essas pessoas ali, esses prédios poderiam sofrer com a degradação causada pelo abandono de pessoas que supostamente têm uma tendência menor a conservar esta zona importante da cidade.

Se isso procede ou não? Sei lá, não conheço São Paulo e nem os nordestinos. Mas eu estou até agora tentando encontrar o preconceito nisso.

Entenda uma coisa: ninguém está imune a críticas. Nenhum povo, nenhuma pessoa, nenhuma instituição. Vocês chamam a guria de fascista, mas são vocês que estão assumindo o papel inquisidor.

Querer calar a boca dos outros com histeria e acusações tipicamente patrioteiras e politicamente corretas do tipo "voce é racista, uma verdadeira nazi!" a qualquer um que ouse criticar uma "minoria" é coisa de quem nao tem argumentos.

abraços.

Carlos, Carlinhos, Getúlio disse...

Pois deixo eu um argumento apenas para se pensar: Dizer que o nordestino cuida mal da cidade de São Paulo porque é nordestino me parece algo extremamente pré-conceituoso. Se não é, me desculpe, mas não saberei mais do que se trata pré-conceito.
Concordo que falácias acríticas são questionáveis de qualquer lado que venha, mas não acho producente dizer que se trata de histeria tentar responder a uma assustadora postura que já matou e mata pessoas. Somos diferentes sim, e a grande lição é convivermos com isso, mas observar que estamos numa comunidade de problemas mais importantes do que falas de ódio irracionais, não é a mesma coisa que dizer que somos uma massa cinzenta e amorfa. Reconhecer que somos uma grande família não quer dizer que somo a mesma coisa. É o que acho, mas temo não ter argumentos nesta fala puramente emocional.

Necco disse...

Ao Anônimo

Grande mérito usar do anonimato para rebater uma visão distorcida dos fatos apresentados. Pelo jeito, você não leu o tal manifesto nem os comentários do blog.

Ninguém aqui está defendendo a igualdade das pessoas, e sim de seus direitos. Caso você não tenha percebido, no texto eles culpam os nordestinos (como se todo imigrante morando em São Paulo fosse daqui) de querer dominar culturalmente o povo paulistano. Lendo o texto inteiro, tive a impressão de ver os mesmos sinais das campanhas anti-judeus promovidas pelos nazistas. Sem exagero.

Depois de ler bem o texto e os comentários feitos no blog, você volta aqui e comenta. Até lá, não dê opinião em algo que não tem conhecimento.

Anônimo disse...

Eu não comentei sobre o manifesto e nem tenho interesse nisso. Eu comentei sobre o caso da guria vegan que expressou no blog dela que era contra a doação de casas para imigrantes em São Paulo.

Tu postou o link desse blog lá, aprovando a retaliação à opinião dela e aproveitando a polêmica de forma oportunista para atrair visitas pro teu blog.

E que diferença faz usar do anonimato ou não? Na internet, já virou lugar-comum apontar o anonimato como se fosse algo que desqualifica a resposa de um interlocutor. Não faz diferença alguma estar escrito "Anônimo" ou estar escrito "João", já que nenhum de nós se conhece.

Anônimo disse...

"Dizer que o nordestino cuida mal da cidade de São Paulo porque é nordestino me parece algo extremamente pré-conceituoso"

Não foi isso o que ela disse. Ela disse que eles cuidam mal da cidade por serem forasteiros, não por serem nordestinos. Esse é um pequeno detalhe que faz toda a diferença.


"não acho producente dizer que se trata de histeria tentar responder a uma assustadora postura que já matou e mata pessoas."

Eu não sei se tu está falando do mesmo assunto que eu. De qualquer forma, defender que o governo não dê casas gratuítas para imigrantes não é uma postura que vem matando muitas pessoas ultimamente.

Miau disse...

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